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Arquivo de ‘Sobre Noël Rosa’ categoria


Postado em março 3, 2010 - por cybelegiannini

Programa sobre o Noël na TV Brasil

Por Cybele Giannini
patrocinio@noelrosaomusical.com.br

Atenção, pessoal! Neste dia 7/3, domingo, às 18h, a TV Brasil (ex-TV Educativa do RJ) exibirá um especial inteiro sobre Noël Rosa (dentro do programa De Lá pra Cá), com reprise na segunda-feira, dia 8, às 23h.

Também fui entrevistada para esse programa. Não percam! Há outros presenças também, e desta vez ilustres.

Abraços.


Postado em dezembro 11, 2009 - por cybelegiannini

Aniversário do Noël

Por Cybele Giannini
patrocinio@noelrosaomusical.com.br

Hoje é dia 11 de dezembro. Se Noël Rosa fosse vivo, estaria completando 99 anos.

Nós, da CYa. Grita Absoluta e do Grupo JB Samba, agradecemos pela oportunidade que tivemos  de homenageá-lo e pedimos a ele que continue a dar-nos uma forcinha para, no centenário dele, podermos continuar a render-lhe tributo.

Sua bênção, Noël!


Postado em fevereiro 7, 2009 - por cybelegiannini

A (incidental) relação entre Maysa e Noël

maysaPor Cybele Giannini
patricinio@noelrosaomusical.com.br

Pouca gente sabe disso, mas há, mesmo que distante, uma ligação entre Maysa (Matarazzo) e Noël Rosa.

É que Benedicto Lacerda (flautista) viajou certa feita para Vitória com um conjunto chamado Gente do Morro, entre cujos componentes estava Noël.

Só que, com esse nome, em razão de preconceito, o grupo não fez sucesso e Benedicto decidiu que eles sairiam da pensão às escondidas, sem pagar a estada, já que não ganharam dinheiro para isso.

Fugiram de madrugada, mas foram presos no trem no meio do caminho e, para serem liberados, precisariam saldar a dívida. Como?

Alcebíades Monjardim (o Monja), pai de Maysa, de família tradicional da cidade, foi quem organizou com outros amigos uma festa no Hotel Imperial para, com um show, arrecadar a verba necessária.

Na noite marcada, Benedicto e a Gente do Morro apresentaram-se com sucesso.

Quitada a pensão, partiram no dia seguinte. Noël, não. Ficou por lá nos braços de uma moça. Só voltou porque sua mãe foi buscá-lo.

Esse era Noël! Um amante das mulheres e da vida.


Postado em janeiro 4, 2009 - por cybelegiannini

A origem de Pastorinhas (Noël Rosa – João de Barro)

Por Cybele Giannini
patrocinio@noelrosaomusical.com.br

Braguinha

Braguinha

Vocês sabiam que, quando foi composta, a música Pastorinhas tinha o título de Linda Pequena e alguns versos eram outros?

Em 1934, João de Barro, o Braguinha, sugeriu a Noël que fizessem uma marcha para o carnaval, inspirada nos ranchos que saíam em Vila Isabel no Dia de Reis (6/1) e, num bar, os dois compuseram Linda Pequena, gravada por João Petra de Barros, sem nenhuma repercussão.

Os versos originais eram:

A estrela d’alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as moreninhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor.

Linda pequena,
Pequena que tens a cor morena
…

Pois bem, em 1938, depois da morte de Noël, Braguinha e Alberto Ribeiro inscreveram, num concurso de músicas de carnaval, Touradas em Madrid e com ela o venceram. Porém, em razão de protestos de que aquilo não era marcha, e sim pasodoble, o resultado foi anulado e marcou-se outro concurso para duas semanas depois. Braguinha, então, trocou o título de Linda Pequena para Pastorinhas, mudou alguns versos e inscreveu a “nova” música.

Os versos agora eram:

A estrela d’alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor.

Linda pastora,
Morena da cor de Madalena
…

Além de ficar com o primeiro lugar no concurso, Pastorinhas foi gravada por Sylvio Caldas com enorme sucesso. Infelizmente, Noël já não estava vivo para testemunhar mais essa conquista. 

Assista abaixo ao vídeo:


Postado em dezembro 30, 2008 - por Danilo Barros Andrade

Feliz 2009!

Por Danilo Barros Andrade
patrocinio@noelrosaomusical.com.br

Que no próximo ano todos possam assistir ao nosso espetáculo nos teatros. A jornada será longa.

anonovo1


Postado em dezembro 26, 2008 - por cybelegiannini

Por que Noël com trema?

Por Cybele Giannini

Agora que estamos a dias de, pela nova ortografia, cair o bendito trema que a maioria, infelizmente, nunca empregou, ficam perguntando-me por que nossa peça insiste em trazer o nome de Noël com trema.

A primeira resposta é a mais fácil: porque Noël foi registrado assim e assinava dessa forma, como consta de documentos que deixou, o que deveria bastar para explicar o fato.

Nosso compositor foi batizado com esse nome porque nasceu em dezembro, próximo do Natal, e seu pai, Manuel Garcia de Medeiros Rosa (o Neca), tinha certa predileção pela cultura francesa.

Por isso, a segunda é que Noël é Natal em francês e, como requer a Fonética, é preciso colocar trema no “e” do grupo “oe” para esse “e” ser pronunciado, do contrário se leria (aproximadamente) ”Nél“, como “coeur” (= coração) ou “oeil” (= olho) se lêem (mais ou menos) “quéurr” e “éil“.

É claro que no Brasil, com esta ou aquela desculpa, acabaram por suprimir o trema de Noël, como também modernizaram o Batista (de Wilson e Marília), o Araci (de Cortes e de Almeida), o Marta (da mãe de Noël), o Sílvio (de Caldas), etc.

Nós não alteramos nada: respeitamos os donos dos nomes. Escrevemos Wilson e Marília Baptista, Aracy Cortes e Aracy de Almeida, Martha de Medeiros Rosa, Sylvio Caldas (xiiii!!! pela nova ortografia, o y vai voltar…) e – óbvio! – Noël Rosa.

Abraços e feliz Ano Novo!


Postado em dezembro 25, 2008 - por cybelegiannini

Crônicas da Amendoeira (Prêt-à-Porter, Caetano e a SIR)

Por Aldo Guerra
(Crônica publicada no site Recanto das Letras)

Prêt-à-Porter anda possesso com aquilo que ele vem chamando de Síndrome da Imbecilidade Recorrente (SIR). A doença, segundo ele, abate-se sobre artistas, escritores, intelectuais e, sobretudo, políticos. Ainda para o velho guardador de águas da CEDAE, a raia miúda é naturalmente imune à forma grave da doença, revelando apenas traços mais amenos da sintomatologia do gravíssimo mal. Mas, dentro do grupo de risco, os narcisistas estão entre os mais vulneráveis.

Na Amendoeira, entre uma sagatyba e outra que o bom Marcinho lhe serve, Prêt-à-Porter discorre sobre as conseqüências da SIR. Seu primeiro caso analisado – espécie de O Estágio do Espelho Lacaniano – foi a polêmica ridícula (e falsa) levantada por Caetano Veloso que, pretensamente saindo em defesa de Wilson Batista – como se este precisasse -, esculhambou Noel Rosa, acusando-o de racista e homófobo, entre outros arroubos imbecis. Para o velho aposentado o caso de Caetano é o mais emblemático pela recorrência contumaz dos sintomas.

  – Professor, o senhor lembra do discurso durante a apresentação de É proibido proibir  naquele festival? Pois é, aquilo não foi apenas uma raivazinha pela desclassificação do Gil. Foi faniquito, uma quase convulsão sindrômica!

Mais um gole de sagatyba e um eloqüente Prêt prossegue:

  – Tem também os casos com o Paulo Francis e o Tinhorão. Mas, como se trata de um caso de tríplice imbecilidade durante os ataques, o exemplo não serve.

Meu bom e velho amigo tentava falar com naturalidade. Para ele, ao execrar o clássico Feitiço da Vila com os argumentos que utilizou, Caetano não revelava apenas toda a sua ignorância sobre o objeto de seu ataque histérico. Não. Para o amigo havia mais que uma simples baianice chamando para si os holofotes que mais cegam do que ampliam a visão.

  – Caetano talvez seja um caso crônico, coitado! Talvez ele devesse tomar uma com a gente e entrar Numa…

Sorrimos todos. Regina e Marcinho vieram se juntar a nós. Brindamos ao Poeta da Vila enquanto ouvíamos Prá que mentir? ao som do violão do Roberto e da inconfundível flauta do amigo Gil.

Obs. Leia mais sobre esse assunto no artigo Polêmica: Caetano Veloso X Noël Rosa neste blog (abaixo, em postagens antigas).


Postado em dezembro 11, 2008 - por cybelegiannini

Quase um século da luz de Noël!

Por Cybele Giannini
patrocinio@noelrosaomusical.com.br

Há quase um século, em 11/12/1910, nascia Noël Rosa.

Quem diria que o primogênito de D. Martha e do Sr. Medeiros (o Neca) estaria destinado a um breve futuro tão brilhante, que seria o responsável pela transformação radical da cena artística brasileira ad eternum?

Viveu apenas 26 anos e, só em 7 de produção, espírito privilegiado, compôs mais de 250 músicas, sozinho ou em parcerias memoráveis.

Sua obra foi cantada, gravada, imitada e não se exaure nunca…

A despeito de alguns problemas que provavelmente o tenham afligido (sem jamais se queixar deles), a despeito de alguns seus contemporâneos (e outros nossos também) que criticaram suas composições sem fundamentos plausíveis, atravessou sua pequena existência sem mágoa de nada, nem de ninguém, com um bom-humor avassalador, com a verve do gênio, o dom majestático da palavra, a eternidade na mente e nas mãos…

Nós, da CYa. Grita Absoluta e do Grupo JB Samba, agradecemos a você, Noël, por ter-nos legado esse material artístico e humano tão imenso, que é o que nos mantém até hoje lutando (já faz dois anos) para pôr em cena o espetáculo com que queremos humildemente homenageá-lo senão à altura gigantesca do seu talento – que nós, pobres almas comuns, jamais poderíamos alcançar – pelo menos, com todo o empenho, amor e dedicação, bem acima do nosso potencial.


Postado em dezembro 11, 2008 - por cybelegiannini

13- INCENTIVOS SÃO SEMPRE BEM-VINDOS!!

Por Ruy Humberto (músico do Grupo JB Samba)

Noël, Noël, Noël, nome de presenteador, nome que, ao ouvirmos, determinamos ser de um homen de idade, pomposo, fala grossa, que nos traz presentes nos fins de ano… Mas, ao depararmos com o nosso Noël, que tinha Rosa também, para contracenar, com ele que era cheio de alegria – em suas composições, mesmo nas mais tristes – sempre encontramos um quê de alegria, uma pitada de deboche pra quem achava ele que estava sofrendo… Sofria, mas não em suas músicas, em suas harmonias e, sim, em seu peito, em sua mente e cada vez mais conseguia escrever músicas e cantar pra que todos admirassem, rissem ou chorassem ouvindo-o.

Hoje cantamos suas músicas como se ele as tivesse feito no ano passado. Todas são velhas, porém recentes. Assim como o velho e imortal Papai Noel, o nosso também é imortal, mas nunca velho. Valeussssss, Noël, Noël, Noël!


Postado em novembro 12, 2008 - por Danilo Barros Andrade

Um pouquinho sobre a nossa peça, Noël Rosa e Vila Isabel.

Por Danilo Andrade
patrocinio@noelrosaomusical.com.br

O Samba. A música. A cultura brasileira. A dança. Tudo isso e mais um pouco está presente no nosso espetáculo musical que não canso de dizer o nome: Noël Rosa – o Poeta, o Músico, Cronista de Uma Época. Um espetáculo cuidadosamente estudado e preparado para  apresentar a trajetória de vida de Noël de Medeiros Rosa.

A música é um dos principais artifícios da peça, que também retrata, entre tantos outros pontos, características de várias personagens. Há o malandro, o bêbado, o sedutor, o pessimista, o mercenário, o sereno e muitos outros. Isso tudo sem falar das mulheres.

Sobre Noël e Vila Isabel

Vale ressaltar o verdadeiro fascínio que oartista sentia ao viver na sua cidade, cheia de musicalidade. Ele  admira a todos, sem distinção, mas é a Vila, a Vila Isabel sua grande paixão. Seus amigos, moradores, seus botecos… Tudo isso faz parte da alegria de Noël. Tanto que uma de suas canções, FEITIÇO DA VILA, homenageia o bairro de Vila Isabel.

Hoje é impossível visitar o Rio de Janeiro sem lembrar os momentos que Noël passou por lá. Uma cidade que lembra a vida boêmia do poeta da vila, agora parte do inconciente coletivo do Brasil.

Desde a infância, Noël preferia a rua a ficar em casa. Histórias sobre Noël Rosa é o que não falta pra contar. Portanto vamos alternando. Visite o site:
Noël Rosa - o Poeta, o Músico, Cronista de Uma Época e conheça um pouco mais da fascinante história do Brasil em diferentes décadas, porque, quando voltar ao nosso blog, novidades aparecerão.


Postado em novembro 5, 2008 - por cybelegiannini

Negros! Obama, Ismael Silva, Cartola e… Noël!

Por Cybele Giannini
patrocinio@noelrosaomusical.com.br

 

Finalmente um negro no maior cargo do mundo! Finalmente alguém para mudar a humanidade! Viva Barack Obama!

Chega de preconceito, opressão, maldade! É hora de virar o jogo, mudar essas regras odiosas…

Foi esse racismo, ostensivo nos americanos, dissimulado em muitos brasileiros, que Noël Rosa sempre repudiou, e não por manifestações públicas ou por apologia aos negros, mas pelo simples prazer de conviver com eles, de preferir estar ao lado deles, como ocorreu com Cartola (foto à direita) e Ismael Silva (à esquerda).

O primeiro foi um dos melhores amigos de Noël (como já escrevi artigos abaixo), o segundo, além de amigo, foi seu maior parceiro musical.

Branco, de classe média, descendente de uma família de médicos, Noël não se achava mais importante por isso (contrariando Caetano Veloso, como expus num dos artigos abaixo); pelo contrário, gostava mesmo era da simplicidade e do talento dos “diferentes”. Foi amigo até de Madame Satã. Porque era como eles: talentoso e “diferente”. Um inovador, revolucionário, muito à frente do seu tempo.

Hoje, assim como todos aqueles que lutaram ativamente pelo respeito aos negros, Noël, onde estiver, deve estar muito feliz. Um negro é Presidente dos EUA. Termina aqui uma era de injustiça e de ódio gratuito.


Postado em outubro 30, 2008 - por cybelegiannini

Cartola e Noël – Amigos Eternos

Por Cybele Giannini
patrocinio@noelrosaomusical.com.br

Cartola, grande amigo de Noël Rosa

Amanhã de madrugada, depois do Programa do Jô, a Globo apresentará, em Som Brasil, um especial sobre Cartola, em comemoração ao centenário do nascimento do mangueirense. Não percam!

Também recomendo assistirem ao documentário Cartola – Música Para os Olhos, lançado no ano passado, mas já em DVD. Exceto por algumas inserções despropositadas do diretor, o filme é lindo e rico de depoimentos, inclusive do próprio Cartola e de D. Zica. Vale a pena também por causa das músicas que tocam inteiras enquanto cenas se desenrolam.

Cartola e Noël foram grandes amigos, tão sinceros e íntimos, que este não saía da casa daquele. Era com Cartola que Noël desabafava, fazia sambas, tomava porres, até quase o final da vida. Muitas vezes Deolinda, a primeira mulher de Cartola, deu banho em Noël para curá-lo da bebedeira. Compuseram muitos sambas, infelizmente quase todos se perderam. Um que se salvou foi Rir.

Cartola e outros sambistas do morro criaram, na época, um conjunto que batizaram de Com que Roupa?, em homenagem ao nosso artista. Para Noël também, muito tempo depois de sua partida, o compositor da Mangueira escreveu estes versos musicados:

“Eu quisera esquecer o passado,
Eu quisera, mas sou obrigado
A lembrar o grande Noël.
Ainda resta a cadeira vazia
Da escola de filosofia
No bairro de Vila Isabel.”

Por limitações cênicas, Cartola não é personagem de nosso espetáculo, mas a importância dele para a MPB é inegável e, se Noël já o reverenciava, também eu quero reafirmar meu encanto com suas músicas.

  • Veja uma das composições do mestre!


Postado em outubro 23, 2008 - por cybelegiannini

Noël… no palco

Por Soró Linhares
soro.souza@uol.com.br

O Teatro é um exercício de generosidade. Cada trabalho desenvolvido tem por trás um esforço enorme, que envolve muitas outras tarefas imprescindíveis. O amor, sem cair no romantismo barato, não deixa de ser um item fundamental que precisa ser levado em consideração. Sem a presença dele nada acontece.

Quando li a biografia do Noël, de autoria de João Máximo e Carlos Didier, fiquei impressionado com a grandiosidade desse artista em tão curto período de vida (1910-1937). Lembro que demorei a ler o último capítulo do livro, porque não acreditava que acabava ali, queria ler mais sobre esse menino que viveu tão musicalmente a vida.

O capítulo 46 começa assim: “Primeiro as lágrimas, depois o esquecimento. A Noël Rosa parecia destinada a mesma posteridade de quase todos os artistas populares brasileiros – muito pranteados assim que se vão, mas tendo sua vida e sua obra, pouco a pouco, tragadas pela areia movediça do tempo. Parecia, apenas. Porque a história, na verdade, tornou-se outra.”

Esse compositor não caiu no esquecimento, suas músicas estão aí,   presentes e fortes no coração da música brasileira, do samba,  alimentando e inspirando muitos talentos contemporâneos que reconhecem a grandeza da obra de Noël.

Fiquei emocionado ao fechar o livro. Percebi que estava diante de uma belíssima história de amor e que agora precisava vivê-la, porque o amor não é para ser entendido. Como dizia Clarice Lispector, viver ultrapassa todo o entendimento.

Ao pensar em Noël no teatro, contar sua história e sua convivência com tantos outros artistas da época, lembro-me de um ator americano, Josef Chaikin, que abandonou o teatro comercial porque passou a ter conscientização política, mudou radicalmente a sua postura de ator da Broadway, uma transição que o aproximou de Brecht.

Quero muito que a vida do Noël seja contada por nós, como tantos outros artistas já o fizeram, mas pretendo contar do meu jeito, com a minha emoção, respiração, dor, alegria.

A compreensão que tenho da vida de Noël é que suas ações no cotidiano quebravam tudo aquilo que sustentava o status quo. Ele mostrava, com simplicidade, que não bastava somente viver, era preciso saborear a vida. Fez isso com música, bebida, boas companhias femininas e amigos que se tornaram parceiros e intérpretes de sua obra.

O Noël não era apenas um artista boêmio. Tinha consciência política de seu tempo, sabia das dificuldades dos excluídos. Não queria dinheiro, evitou transformar sua arte em produto fabricado sob a armadura de um sistema que preservava a ordem do bom cidadão.

A responsabilidade artística de mostrar Noël Rosa no palco pressupõe disciplina, não militar, mas o desejo de colocar o homenageado na frente, entender que o maior sucesso está em um artista ceder o lugar a outro. Por isso, não me convém o teatro comercial, quero a simplicidade do exercício de minha arte para atender a uma outra que se chama Noël.


Postado em outubro 19, 2008 - por cybelegiannini

Dia do Médico – 18/10

Por Cybele Giannini
cymar@uol.com.br

Hoje é Dia do Médico. Parabéns a todos!

Vocês sabiam que Noël Rosa pertencia a uma família de médicos (por parte da mãe, D. Martha)? 

Seu trisavô Luís Corrêa d’Azevedo, o bisavô Fortunato Corrêa d’Azevedo, o avô Eduardo Corrêa de Azevedo (que também era poeta e jornalista) e mais tarde o irmão, Hélio, todos se dedicaram à Medicina.

Esperava-se que Noël, primogênito de D. Martha, seguisse a mesma carreira dos ancestrais. Ele até chegou a se matricular na Faculdade e a cursar meio semestre, mas falou mais alto o lado humanista, o poético, o musical e…… o boêmio!

Provavelmente o gosto pela poesia herdou do avô Eduardo; o gosto pela música, da mãe (que tocava bandolim) e do pai (que tocava violão), porém a paixão pela boêmia, isso não se explica a não ser por um destino que o arrastou a viver “intensamente, e não extensamente”, como ele mesmo dizia querer.

Apesar de morrer muito cedo em razão dessa mesma boêmia, até o final conservou o humor e a verve de compositor. E IMORTALIZOU-SE! Destino dos gênios viver pouco e tudo? Eu acho…

Até a próxima!


Postado em outubro 14, 2008 - por cybelegiannini

Noël Rosa X Wilson Baptista

Por Roberto Cláudio (intérprete de Wilson Baptista)



“Ontem, 4 de maio de 1937, morreu o grande Noël Rosa, o poeta do povo. Emudeceu o violão que tanto nos fez cantar e dançar. Ele foi embora jovem, mas nos deixou um legado enorme de músicas maravilhosas. Que Deus acolha com amor o maior compositor de samba do Brasil”.


Este é o texto com que se inicia e termina o musical Noël Rosa – O Poeta, o Músico, Cronista de Uma Época, de Cybele Giannini.


Compositor fascinado pela malandragem carioca, Noël Rosa expôs em versos as mais diversas situações do cotidiano boêmio do Rio, em especial de sua Vila Isabel. Foram inúmeras parcerias, dentre elas com Ismael Silva, Braguinha (João de Barro), Nonô, Orestes Barbosa, Vadico, Nássara e Lamartine Babo, mas a que mais repercutiu foi a com seu oponente musical – Wilson Baptista. Depois da famosa polêmica que travaram, conheceram-se e, entre um e outro desafio, tornaram-se amigos.


Este musical traz um pouco do rico repertório de Noël Rosa e resgata, com figurinos e cenários, a época mágica do início do samba. Com o Bando de Tangarás, com os Ases do Samba ou mesmo sozinho, ele retratou amores e amigos em canções que fizeram e fazem parte de nossas vidas.


Noël Rosa foi compositor, violonista, marido, filho e boêmio. Morreu aos 26 anos de idade e viveu mais intensamente que muitos senhores que chegaram aos 80.


“Você não morre tão cedo, você não morre tão cedo

Juro que, neste momento pensava nessa sua pessoa

tão boa, tão boa que até dormindo perdoa…”

(Noël Rosa)


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