Postado em outubro 19, 2009 - por sorolinhares
Teatro pra quê?
Por Soró Linhares
soro.souza@uol.com.br
Não sou ator. Sou um aprendiz de uma arte que muito admiro.
A temporada no Teatro Sérgio Cardoso foi uma experiência forte. Muitas vezes recolhido ao silêncio, com discrição, sentia um aperto no coração. Quando chegava em casa, não dormia imediatamente, ficava pensando no espetáculo. O prazer de realizá-lo, de estar em cena é sempre maior.
Os obstáculos da temporada despertaram-me para vários pontos que preciso rever: a atitude que devo ter para com o teatro, seu verdadeiro significado em minha vida.
Que atitude deveria ter diante dos obstáculos que estava vivendo? Essa pergunta me acompanhou durante toda a temporada. A resposta implicava necessariamente uma mudança de comportamento. Não me comportei corretamente, talvez tenha subestimado os problemas, quando deveria analisar minuciosamente o grau de dificuldade que deveria enfrentar. Queria sair vitorioso da temporada, mas antes era necessário compreender que precisava preparar-me melhor.
Na trajetória do espetáculo até chegar ao Sérgio Cardoso, desprezei algumas oportunidades de crescimento, negligenciei o pequeno, porque esperava o maior. Um engano. Hoje vejo que preciso valorizar as pequenas oportunidades, por menor que seja. Gostaria de ter descortinado diante dos meus olhos as apresentações no Sérgio Cardoso, fiquei tímido diante dos problemas quando deveria ser mais ousado. Não fui suficientemente responsável, mostrei-me fraco e vulnerável em alguns momentos.
O teatro para mim é o mais poderoso reflexo da minha alma. É através dele que mergulho em meu interior e (re)descubro o quanto ainda sou pequeno, frágil.
Não sou ator, mas busco incessantemente o ator que quero ser, quero poder revelar o que existe de essencial no HOMEM, os germes de todos os sentimentos humanos.


