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(1914-1988)
Segundo o próprio Noël, Aracy era a pessoa que interpretava com exatidão o que ele produzia. Chamada de “Dama do Encantado” em alusão ao subúrbio carioca onde nasceu, Aracy, mais que grande cantora das músicas de Noël, foi grande amiga e companheira dele nas noitadas de boêmia.
De família muito pobre, era irmã de um pastor batista em cuja igreja ela cantava no coro, mas seu sonho, desde menina, era ser cantora de rádio, o que se realizou com a ajuda de Custódio Mesquita (compositor e ator).
Era uma mulher livre, autêntica, sem frivolidade (“alguém sobre quem não resta a menor dúvida”, como ela brincava).
Gravou vários sambas de Noël enquanto ele ainda estava vivo, como, por exemplo, O X do Problema (13ª música - 2º ato)e Palpite Infeliz (8ª música - 2º ato), mas, depois que o amigo morreu, nunca deixou de lhe render homenagem, colocando sempre em seu repertório as músicas dele.
Na década de 1950, lançou um disco só com músicas de Noël, o que a tornou mais popular e trouxe de volta a lembrança do nosso poeta.
Contrariando a opinião de muitos que a julgavam pelo aspecto, Aracy era uma cultora das artes, em especial das plásticas, uma mulher culta e (para surpresa de alguns) casou-se duas vezes.
Do final dos anos 1960 até meados dos 1980, participou, como jurada de calouros, dos programas de Pagano Sobrinho, Chacrinha e Sílvio Santos, o que depois lhe renderia certa mágoa por só ser lembrada por essa função. |