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O Brasil de Noël
O Brasil na Época de Noël – 1910/1914

Os Primeiros Anos de Noël

Presidente Hermes da FonsecaEm 1910, o  Mal. Hermes da Fonseca tornou-se Presidente da República.

O militar gaúcho, sobrinho do Mal. Deodoro da Fonseca, que proclamara a República, era Ministro da Guerra no governo anterior, de Afonso Pena.

Deixou o cargo para lançar-se candidato à Presidência, apoiado pelo superpoderoso senador Pinheiro Machado. Na chapa oposta, estava o orador, o letrado Rui Barbosa. Era “a luta da pena contra a espada”. Venceu a espada, ainda mais porque Afonso Pena morreu antes de terminar o mandato e seu vice, Nilo Peçanha, que o substituiu, apoiou Hermes.

O novo presidente enfrentou em seu governo duas revoltas: a da Chibata (RJ) e a do Contestado (Sul do país) e, apesar de vencê-las, saiu delas enfraquecido.

Depois de se casar com Nair de Teffé, esqueceu-se de governar e o Brasil ficou à mercê de Pinheiro Machado.

OBS. A Guerra do Contestado (nome da região disputada pelo Paraná e Santa Catarina), de 1912, foi mais ou menos uma cópia de Canudos. O Monge João Maria, depois José Maria, desertor da Força Pública do Paraná, foi um líder messiânico nos moldes de Antônio Conselheiro e congregou a sua volta 2.000 camponeses. Dizia-se eleito por Deus para formar na Terra a Monarquia Celestial e fixou-se com seus sequazes naquela região “contestada”. O Exército tentou expulsá-los dali, mas, apesar de José Maria morrer logo no primeiro ataque, os fanáticos, que se diziam comandados “do além” pelo líder, resistiram a sete expedições e chegaram a ocupar 25.000 km2. A guerra só terminou em 1916, com um saldo de 20.000 mortos.

Noël Rosa nasceu em 11/12/1910, poucos depois de o Mal. Hermes da Fonseca tornar-se Presidente do Brasil.

 
O Brasil na Época de Noël – 1914/1918

Venceslau Brás é o Presidente da República


O senador Pinheiro Machado tentou novamente pôr, no cargo mais alto do país, seu indicado, neste caso, o ex-presidente Campos Salles, mas, desta vez, mineiros e paulistas firmaram o Pacto de Ouro para eleger o vice-presidente mineiro Venceslau Brás, que sempre se mantivera distante do governo, mas, ainda assim, era uma vitória dos aliados para o retorno à política do café-com-leite e para o fim do poderio de Pinheiro Machado (assassinado em 1915 por um cidadão comum).

No governo de Venceslau Brás, os problemas não foram poucos: a gripe espanhola dizimou 18.000 pessoas no Rio de Janeiro e mais de 8.000 em São Paulo; em 1917, ocorreu a primeira greve geral brasileira (em São Paulo) e data também de 1917 a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial em que teve uma participação pífia e desastrosa.

Noël crescia, estudava na escolinha de sua mãe, o Externato Santa Rita de Cássia, e já revelava certo dom para a poesia e a música.

 
O Brasil na Época de Noël – 1919/1922

Rodrigues Alves - Delfim Moreira - Epitácio Pessoa

Presidente Rodrigues Alves

Rodrigues Alves, eleito presidente, morreu pela gripe espanhola. Assumiu o vice, Delfim Moreira, e houve novas eleições a que novamente concorreu Rui Barbosa, mas o candidato dos oligarcas era o senador Epitácio Pessoa, que estava na França como chefe da delegação brasileira para, com os países vitoriosos da Primeira Guerra, assinar o Tratado de Versalhes. Quando voltou, era presidente do Brasil.

 

Autoritário, deu os ministérios da Guerra e da Marinha a dois civis, o que causou indignação entre os militares, porém destacou-se pelo Programa de Combate à Seca no Nordeste e pela construção de mais de mil quilômetros de ferrovias.

Para atender aos paulistas, descontentes com seu protecionismo ao Nordeste, liberou 124.000 contos de réis e estocou 4,5 milhões de sacas de café, o que levou ao aumento do preço e provocou problemas para seu sucessor.

Em 1920, Noël estudava na Escola Pública Cesário Motta, em Vila Isabel e muitas vezes voltava para casa (a um quarteirão) no estribo do bonde. Sempre muito brincalhão, gostava de desenhar e, apesar do defeito no queixo e do distanciamento do pai (no interior a trabalho por seis anos), teve uma infância feliz.

 
O Brasil na Época de Noël – 1922/1926

Artur Bernardes, Presidente do Brasil 

Presidente Artur BernardesArtur Bernardes, mineiro, apoiado pelos oligarcas da política do café com leite, concorreu à Presidência da República com Nilo Peçanha, governador do Rio de Janeiro, candidato dos militares e de Borges de Medeiros, governador do Rio Grande do Sul. Venceu.

No governo, Artur Bernardes, teve outros contratempos, além da revolta tenentista no Rio de Janeiro:

1) A Revolução, em 1923, no Rio Grande do Sul, contra a quarta posse de Borges de Medeiros no cargo de governador. Dizimaram-se mais de mil homens e o Presidente só interveio a favor de Borges com a intenção de contar com ele na derrubada de Nilo Peçanha no Rio de Janeiro. Venceu.

2) Dois anos depois do episódio dos 18 do Forte, em 1924, eclodiram revoluções militares no Amazonas, em Sergipe e em São Paulo para tentar depor Artur Bernardes. Nos dois primeiros Estados, elas foram logo reprimidas, mas a dos paulistas resistiu três semanas. Atacaram o Palácio dos Campos Elísios, o que fez o governador Carlos Campos abandonar o cargo para os amotinados. Artur Bernardes ordenou bombardeio aéreo e cerco à cidade. O General Isidoro Lopes, comandante do movimento, tendo a anistia dos rebeldes negada, fugiu com eles para o Paraná onde ainda lutaram contra tropas do governo até 1925.

3) Ainda em 1924, aos insurretos da Revolução Paulista vieram juntar-se militares do Sul, descontentes com o que lhes sucedera na Revolução de 1923. Eram liderados pelo tenente Luís Carlos Prestes. Iniciava-se a Coluna Prestes que percorreria quase todo o território nacional, além de Paraguai e Bolívia, durante cerca de dois anos. Sua finalidade era fazer os camponeses reagir contra a exploração a que eram submetidos pelos fazendeiros. Em 1927, já no governo de Washington Luís, alguns se refugiaram no Paraguai; outros, como Prestes, na Bolívia. Só retornariam ao Brasil, com exceção do tenente, que se tornou comunista, após a Revolução de 1930.

O que de melhor aconteceu neste governo foi, em 1922, em São Paulo, a Semana de Arte Moderna, que reuniu artistas das mais diferentes especialidades em torno de um ideal: o Modernismo nas artes. Apesar de nem tão pacífica assim (houve vaias e lançamento de ovos nas apresentações), seus frutos multiplicaram-se e desvelaram para o mundo talentos como os de Mário e Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Villa-Lobos, Victor Brecheret, entre outros.

Como já começara seu governo em estado de sítio, em razão da Revolução Tenentista dos 18 do Forte, Artur Bernardes, durante todo o mandato sem deixar o Palácio do Catete, manteve a suspensão das garantias constitucionais, instaurou a censura, perseguiu adversários e não anistiou rebeldes. Foi extremamente autoritário, um autocrata.

Em 1923, Noël começou o curso ginasial (equivalente hoje ao Fundamental, de 5ª a 8ª série) no famoso Colégio São Bento, de padres beneditinos, mas com religião nosso artista não tinha nenhuma afinidade. Ainda assim, estudou lá por seis anos.

 
O Brasil na Época de Noël - 1926/1930

O Governo de Washington Luís

Presidente Washington LuísApesar dos sérios problemas que enfrentou em seu mandato, Artur Bernardes conseguiu, como já planejado, colocar na Presidência o paulista Washington Luís, para dar prosseguimento à política do café com leite.

Washington Luís foi o último presidente dessa fase e, como tal, formou seu gabinete de paulistas e mineiros, porém, para premiar o Rio Grande do Sul cujo governador (outra vez Borges de Medeiros) não se opusera a sua candidatura, nomeou o gaúcho Getúlio Vargas seu Ministro da Fazenda, papel que este desempenhou de fachada porque quem realmente decidia tudo era o Presidente.

Washington Luís, logo que assumiu o poder, suspendeu o estado de sítio, mas, em solidariedade ao governo anterior, não anistiou os rebeldes.


Teimoso e autoritário como seu antecessor, criou a "Lei Celerada" para repressão ao Comunismo e legou o Partido Comunista à clandestinidade.

Seu lema era "Governar É Abrir Estradas"; dessa forma, mandou construir as rodovias Rio-São Paulo (atual Dutra) e Rio-Petrópolis.

Também fixou o câmbio, o que levou à desvalorização da nossa moeda e descontentou a classe média, maior consumidora de artigos importados. Em 1929, com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, sua política financeira e sua indicação de Júlio Prestes (outro paulista) à sucessão conduziram-no à derrocada.

Em 24 de outubro de 1930, Washington Luís foi destituído do cargo depois de ter-se recusado a renunciar. Dois dias depois, partiu para o exílio na Europa de onde só voltou quando do fim do Estado Novo, em 1947.

Em 1929, Noël entrou no Colégio Pedro II. Não era aluno aplicado, por isso demorou a concluir os estudos e foi reprovado várias vezes em alguma disciplinas, entre elas, História do Brasil, a que mais vezes levou como dependência para o ano seguinte.
 
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