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Gavick News Image I

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O Rio de Janeiro em 1922

Os 18 do Forte

No governo de Venceslau Brás, em 1922, vários motivos contribuíram para o início da conspiração militar, chamada de Tenentismo, entre eles, a prisão domiciliar por um dia do Marechal Hermes da Fonseca e a acusação de fraude nas urnas para Nilo Peçanha, apoiado pelo exército, perder a eleição para Artur Bernardes.

Apesar de tudo, quando se deflagrou no Rio o movimento que tencionava tirar do Catete o presidente e impedir a posse de Artur Bernardes, poucos realmente aderiram a ele. Um canhão solitário - senha para o início do levante - ecoou no Forte de Copacabana;  os outros fortes não responderam.
Bombardeados e cercados por tropas leais ao governo, alguns desertaram. Restaram 28 homens que, armados, seguiram a pé para o Palácio, porém, no meio do caminho, outros 10 desistiram. Dos 18 restantes (daí o nome do movimento), alguns foram mortos pelos soldados. Na verdade apenas dois sobreviveram: os líderes, Siqueira Campos e Eduardo Gomes.

Nesse ano, Noël Rosa estava com apenas 12 anos de idade e tentava a colocação de uma precária prótese de acrílico para corrigir o defeito facial, seqüela do parto a fórceps.  Procedimento inútil porque Noël não a usou por muito tempo e, mesmo se o fizesse, não resolveria seu problema.
Seis anos antes, havia-se submetido a uma cirurgia tão dispendiosa quanto estéril e dolorosa: forçaram seu maxilar com um abridor de boca até romper-lhe o masseter. É que, além de a Medicina da época ainda estar engatinhando, quando a família percebeu o defeito no menino, já era muito tarde para solucioná-lo.

Anos mais tarde, depois da Revolução de 1930, Noël com Henrique Vogeler e Visconde de Bicohyba (pseudônimo de Horácio Dantas) fizeram uma brincadeira musicada cujo tema aparententemente era a sociedade carnavalesca Tenentes do Diabo, mas que se trata de uma alusão ao tenentismo (porque o tenentismo perdurou) e à política da época. São de Noël os versos:

"Sou folião,
Não sou sargento, não sou cabo,
Nem tenente de galão,
Sou Tenente do Diabo!

Um coronel muito vermelho
Por uma preta teve amor
Resultou desse dueto
Um guri vermelho e preto
Que é Tenente até na cor..."

Obs. As cores vermelho e preto da agremiação referem-se, na verdade, respectivamente ao comunismo e ao fascismo (integralismo, no Brasil).