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Cartola (1908-1980)

A história musical de Cartola (na verdade, Angenor de Oliveira) começou cedo, mas foi só em 1928 que fundou, com outros amigos, sua amada Estação Primeira de Mangueira (segunda escola de samba do Rio de Janeiro), cujos nome e cores ele mesmo escolheu.

Este genial compositor só era reconhecido no morro da Mangueira, mas, em 1931, Mário Reis comprou dele os direitos de gravação da música Que Infeliz Sorte, afinal gravada por Francisco Alves que depois lhe compraria outras (diferentemente de Noël Rosa e de Ismael Silva, Cartola não abdicou da autoria de suas composições).

Continuou compondo (principalmente com Carlos Cachaça) e trabalhando ativamente nos carnavais por sua Mangueira até 1941, quando desapareceu, sendo inclusive dado por morto.

Só voltou ao cenário musical em 1956 quando o cronista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) o encontrou lavando carros num prédio.
Já vivendo com D. Zica, abriu com ela, em 1964, o Zicartola, restaurante com música ao vivo que virou moda na época.

Apenas em 1974 conseguiu gravar seu primeiro LP, pelo qual recebeu prêmios. Gravaria só mais três porque um câncer o levaria logo.

De suas músicas, as mais conhecidas são As Rosas Não Falam, Alvorada, O Sol Nascerá, porém deixou inúmeras, tão ou mais belas que essas.

Grande amigo de Noël Rosa (inclusive escreveu uma canção dedicada a ele após a morte), compuseram muito juntos (Noël não saía do barraco do companheiro e conta-se inclusive que Deolinda, a primeira mulher de Cartola, costumava dar banho nos dois quando chegavam embriagados), mas quase a totalidade das músicas se perdeu porque, além de os dois não terem maiores ambições, elas foram feitas em momentos de bebedeira e descontração. As que restaram foram: Qual Foi o Mal que Eu te Fiz? e Rir (esta também assinada por Francisco Alves)
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