 Mineiro de Ubá, Ary foi uma dos mais importantes compositores brasileiros e tornou-se famoso sobretudo por um samba-exaltação, Aquarela do Brasil, conhecido mundialmente e muitas vezes confundido com nosso hino nacional. Porém deixou-nos um número sem-fim de belas composições, tais como: Faceira, No Rancho Fundo, Na Baixa do Sapateiro, Grau Dez, etc.
Trabalhou como músico desde os 12 anos de idade em sua cidade natal, só indo para o Rio de Janeiro em 1921, quando recebeu uma herança polpuda que dissipou em menos de dois anos.
Cursou a Faculdade de Direito (foi colega de Mário Reis) enquanto trabalhava paralelamente, como pianista, em cinemas, teatros e orquestras, e formou-se advogado.
Radialista e locutor esportivo (era flamenguista roxo!) no Rio e em São Paulo, mais tarde lançou o programa Calouros em Desfile, sucesso da época no rádio e na tevê.
Da primeira peça do teatro de revistas de que Noël participou, Café com Música, contribuindo nada menos do que com oito composições, Ary também fazia parte. Na revista seguinte, fizeram parceria em Iça a Vela (Mão no Remo), gravada magistralmente por Sylvio Caldas.
Compuseram juntos apenas mais duas músicas: De Qualquer Maneira e Estrela da Manhã, porque, apesar de amigos, não conviviam muito fora do ambiente artístico: Ary, mais refinado, preferia o pessoal do teatro, a classe média, os boêmios tranquilos; já Noël gostava mesmo era de subir o morro, de frequentar botequins e cabarés, de dedicar-se à boêmia inveterada.
Mas nada disso impediu Ary de encarregar-se de discursar no enterro de Noël, o que fez com tanta emoção, que quase caiu dentro do túmulo.
Ary morreu de cirrose num domingo de carnaval quando a Império Serrano desfilava com o enredo Aquarela do Brasil, em sua homenagem.
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